Peter Francisco “Um Herói da Revolução Americana com Raízes Açoreanas”

“Um Hércules de 6 pés e meio de altura que empunhava um sabre de seis pés de comprimento, Peter Francisco foi provavelmente o soldado mais extraordinário da Guerra da Revolução Americana”

Por: Joseph Gustaitis, na American History Magazine

Pedro Francisco Machado (Porto Judeu, 1760 – Richmond, 16 de Janeiro de 1831), referido como Peter Francisco nos EUA, foi um Português, nascido na freguesia do Porto Judeu, Concelho de Angra do Heroísmo, ilha Terceira, Açores, destacou-se como herói na Guerra da Independência dos Estados Unidos da América.

Conhecido como “O Gigante da Virgínia”, o “Gigante da Revolução” e, ocasionalmente, como o “Hércules da Virgínia”, é homenageado pela comunidade portuguesa em New Bedford (Massachusetts) a 15 de Março. Lutou ao lado de George Washington e do marquês de Lafayette, tendo sofrido numerosos ferimentos em combate, em defesa da independência de sua pátria de adoção.

A sua biografia está cercada de uma aura de lenda, sendo-lhe atribuídos feitos extraordinários. As suas origens são relativamente obscuras. Foi encontrado em tenra idade (presumivelmente cinco anos), uma tarde em 23 de Junho de 1765, a chorar, nas docas de City Point, na Virgínia. Quando se acalmou o suficiente para falar, percebeu-se que não falava o inglês e sim uma língua parecida com o Português. Embora nada possuísse que o identificasse, as suas roupas eram de boa qualidade e, na fivela do cinto, liam-se as iniciais “P.F.”.

Eventualmente foi capaz de contar a sua história: afirmou que “estava num local lindo com palmeiras, a brincar com a sua pequena irmã, quando dois homens grandes apanharam ambos. A irmã conseguiu libertar-se dos captores mas o menino não, e foi levado para um navio grande que acabou por conduzi-lo a City Point.

Sobre as suas origens, o investigador John E. Manahan identificou que, nos registos de nascimentos da ilha Terceira, nos Açores, existe um Pedro Francisco nascido em Porto Judeu, a 9 de Julho de 1760.

A criança foi acolhida pelo juiz Anthony Winston, de Buckingham County na Virgínia, um tio de Patrick Henry. Quando atingiu idade suficiente para trabalhar, foi instruído como ferreiro, devido ao seu enorme tamanho e força (ultrapassou os 1,98 metros e pesava cerca de 120 kg). O escritor Samuel Shepard, que observou o jovem no seu trabalho, registou:

“Os seus ombros são como os de uma antiga estátua, como uma figura da imaginação de Miguel Angelo, como o seu Moisés mas não como David. A sua queixada é longa, forte, o nariz imponente, a inclinação da testa parcialmente ocultada pelo seu cabelo negro de aspecto desgrenhado. A sua voz era suave, surpreendendo-me, como que se um touro ganisse.”

Com os rumores de secessão alastrando-se entre a população da Virgínia, Francisco alistou-se aos 16 anos no 10º Regimento da Virgínia. Estava presente, junto à igreja de St. John em Richmond, quando Patrick Henry fez o seu famoso discurso “Liberdade ou Morte”. Em Setembro de 1777, serviu sob o comando do general George Washington em Brandywine Creek na Pensilvânia, onde as forças dos colonos tentaram deter o avanço de 12.500 soldados britânicos que avançavam em direcção à Filadélfia. Não está claro se foi nesse momento que o jovem Francisco salvou a vida a Washington, apesar de se reconhecer que o jovem foi aqui alvejado. Alguns relatos afirmam que ele se tornou guarda-costas pessoal do general, enquanto outros dão conta de que ele era apenas um soldado agressivo e vigoroso, que lutou a seu lado. Foi Washington quem determinou que uma espada especial, adequada ao seu tamanho, fosse confeccionada para Francisco. Foi esta espada, com 6 pés de comprimento, que aterrorizou os britânicos. Washington terá eventualmente se referido posteriormente a Francisco: “Sem ele teríamos perdido duas batalhas cruciais, provavelmente a guerra e, com ela, a nossa liberdade. Ele era verdadeiramente um Exército de um Homem Só.“

Após servir nesta comissão por três anos, Francisco voltou a alistar-se e combateu numa das maiores derrotas sofridas pelas forças dos colonos no conflito. Na batalha de Camden (16 de Agosto de 1780, terá realizado um dos seus mais famosos feitos, quando, após os colonos se terem retirado diante dos britânicos, deixando no terreno uma imensa peça de artilharia com aproximadamente 1000 libras, afirma-se que Francisco a colocou às costas e a terá transportado para que não caísse nas mãos do inimigo. Em homenagem a esse feito, os correios dos Estados Unidos emitiram em 1974 um selo comemorativo.

Em pouco tempo, as histórias a respeito de Francisco foram sendo espalhadas e as suas histórias de bravura e vigor foram divulgadas em muitos jornais e romances à época, inspirando ânimo e incentivando a resistência entre as forças dos colonos.

Embora a maior parte dessas histórias careça de fontes documentais, Frances Pollard, da Virginia Historical Society, que apresentou uma exposição sobre o conflito que incluiu uma secção sobre Francisco com o colete gigante que costumava usar, afirmou:

“Acho que uma das coisas que tive dificuldade em documentar foi a sua participação em muitas das batalhas onde realizou feitos históricos. Nunca consegui separar a lenda dos factos, nem encontrar provas da sua participação em algumas destas batalhas. Acho que existe alguma mitologia associada a alguém com aquele tamanho tão fora do vulgar.“

Posteriormente, em 1850, o historiador Benson Lossing registou no “Pictorial Field Book of the Revolution” que “um bravo virginiano deitou abaixo 11 homens de uma só vez com a sua espada. Um dos soldados prendeu a perna de Francisco ao seu cavalo com uma baioneta. E enquanto o atacante, assistido pelo gigante, puxava pela baioneta, com uma força terrível, Francisco puxou da sua espada e fez uma racha até aos ombros na cabeça do pobre coitado!“

Mais tarde, enquanto se recuperava, Francisco tornou-se amigo de Lafayette.

Francisco sofreu mais seis ferimentos enquanto a serviço do seu país, tendo morto um número incerto de britânicos e sido condecorado ao final do conflito por generais estadunidenses que se certificaram de que ele estava presente na rendição do general Charles Cornwallis e dos britânicos em Yorktown, a 19 de Outubro de 1781.

De acordo com a tradição, após o conflito, devido às lendas criadas em torno de si, muitos aventureiros foram ao seu encontro para testarem a sua força. Neste período foi apelidado de “o homem mais forte da América“, enquanto as crianças aprendiam sobre a sua forças e bravura nas escolas primárias do novo país.

Eventualmente tornou-se um homem abastado, sendo nomeado beleguim da Câmara de Representantes da Virgínia, mantendo-se uma figura lendária até à sua morte. Foi sepultado com honras militares no Cemitério Shockoe Hill em Richmond, na Virgínia.

A 18 de Janeiro de 1831, o periódico “Richmond Enquirer”, anunciou a sua morte: “Exmo. Sr. Peter Francisco, beleguim da Câmara de Representantes e soldado da Guerra da Revolução Americana, enaltecido pela sua coragem intrépida e pelos seus feitos brilhantes.“

in Wikipédia

 

Ilha Terceira – O centro do mundo, em 1971

A Cimeira das Lajes, em dezembro de 1971, na ilha Terceira, foi o centro do mundo.

Foi na estalagem da Serreta, hoje abandonada, que Marcelo Caetano recebeu os presidentes americano e francês, Nixon e Pompidou, numa cimeira para enfrentar a crise económica da altura.

O presidente francês Georges Pompidou chegou aos Açores debaixo de uma chuva torrencial que deixou os anfitriões e dezenas de repórteres e operadores de câmara à sua espera na pista com água pelos tornozelos. Mas naquele domingo, 12 de dezembro de 1971, os presentes tiveram o privilégio de ser dos primeiros mortais a verem a aterragem do avião mais avançado do mundo: o supersónico Concorde, então ainda em voos experimentais, usado por Pompidou para exibir o prestígio de uma França que então se assumia como líder da Europa. 

Horas depois, já de noite, Richard Nixon teve mais sorte com o tempo: ele e o seu inseparável conselheiro de segurança, Henry Kissinger , desceram do Air Force One saudados por um céu limpo. Marcelo Caetano exultava de alegria. Há muito que um chefe de governo português não aparecia na alta-roda da política mundial como naqueles três dias, entre 12 e 14 de dezembro de 1971.

A Europa e a América estavam a braços com uma profunda crise económica e financeira que os especialistas não hesitavam em classificar como a mais grave desde a Segunda Guerra Mundial. O inimigo público número 1 do sistema monetário internacional era a inflação – um monstro alimentado pelas despesas astronómicas da guerra do Vietname, nos EUA, e do Estado-providência nos seis países do Mercado Comum (como era então conhecida a Comunidade Económica Europeia, antecessora da União Europeia) e em Inglaterra, que entraria para a CEE em janeiro de 1973. 

Para aliviar a pressão inflacionista, em agosto desse ano, Richard Nixon tinha abandonado o padrão-ouro e, enquanto se preparava para desvalorizar o dólar – o que fez poucos dias depois da cimeira dos Açores – tentava convencer os parceiros europeus a valorizarem as respetivas moedas. Mas não era fácil. Primeiro precisava de vender a ideia ao presidente francês. Georges Pompidou sucedera apenas dois anos antes ao general De Gaulle, que usou o Mercado Comum para mostrar ao mundo que era a França quem liderava a Europa. Por isso, o velho general vetou repetidas vezes a candidatura britânica e aproveitou a fragilidade política da Alemanha dividida. Pompidou abriu as portas à Inglaterra, mas insistia em apresentar a França como a «locomotiva» europeia.

O Estado Novo deixara o país «orgulhosamente só», como dissera Salazar. Mas agora, com a cimeira dos Açores, as coisas iam mudar… pelo menos, Marcelo Caetano assim o esperava. O presidente do Conselho chegou ao aeroporto das Lajes às 12h40 de domingo, dia 12. Depois dos cumprimentos da praxe, dirigiu-se em cortejo automóvel aos palcos da cimeira: a estalagem da Serreta (onde ficou alojado Pompidou) e a Junta Geral do Distrito de Angra do Heroísmo. Nixon instalou-se na residência do comandante da base americana das Lajes. Marcelo Caetano ficou no Palácio dos Capitães-Generais, residência oficial do governador do distrito. O Concorde com o presidente francês chegou pelas 16h40, fustigado por bátegas de água. A aterragem não foi isenta de percalços: o avião teve mesmo um pneu furado, mas Pompidou desembarcou sem incidentes. A comitiva francesa, de que faziam parte o ministro das Finanças (e futuro presidente da República) Giscard d”Estaing e o ministro dos Negócios Estrangeiros Maurice Schumann, seguiu logo para a estalagem da Serreta. Depois de todos mudarem de roupa – estavam molhados até aos ossos -, Pompidou teve uma primeira conversa, de cinquenta minutos, com Marcelo Caetano.

Este voltou logo a seguir ao aeroporto, a tempo de dar as boas-vindas a Nixon. O Air Force One aterrou às 21h45 – mas o desembarque do presidente americano do Boeing 707, perante centenas de jornalistas e apesar do show off do aparato da segurança, foi ofuscado pela estrela da ocasião: o Concorde que, a curta distância, dominava a pista. 

 

O episódio foi alvo de um braço-de-ferro diplomático travado com punhos de renda, daqueles incidentes que dão picante ao cinzentismo destes encontros, como conta o então responsável dos serviços de imprensa do governo português, Pedro Feytor Pinto, nas suas memórias no livro Na Sombra do Poder: «Os americanos não queriam que o Concorde ficasse em frente da aerogare pois, chegando o presidente Nixon já de noite, com transmissão direta em todas as televisões dos Estados Unidos, seria uma evidência do atraso americano a presença espetacular do avião francês. Não é fácil discutir com norte-americanos mas compreenderam que a parte da base onde se procedia às cerimónias era portuguesa e seríamos nós a decidir. Assim, o Concorde ficou bem visível, como seria normal. » E lá ficou até terça-feira seguinte, quando, já terminadas as conversações, Pompidou convidou Caetano e Nixon para uma visita guiada ao interior do avião de passageiros mais moderno do mundo.

Nixon e Pompidou conversaram muito ao longo dos dias 13 e 14 de dezembro. Não chegaram a um entendimento sobre o futuro do sistema monetário internacional mas acertaram agulhas para novo encontro, alargado aos outros cinco países do Mercado Comum, à Inglaterra, ao Canadá e ao Japão (o Grupo dos Dez), daí a quatro dias, na Smithsonian Institution, em Washington, de que resultaram os «Acordos de Smithsonian», de 18 de dezembro de 1971 – e a inevitável desvalorização do dólar.

Marcelo Caetano não chegou a participar na cimeira de que foi anfitrião. As suas conversas foram sempre a dois, quer com Nixon, que o pôs ao corrente das suas próximas visitas – essas sim, de importância histórica – à China de Mao Tse-tung e à URSS de Brejnev, quer com Pompidou. Pouco depois da viagem aos Açores foi revelado publicamente que o presidente francês sofria de cancro, a doença que o matou em 1974. O mesmo ano em que Marcelo Caetano foi derrubado por um golpe de Estado em Lisboa e em que Nixon pediu a demissão por causa do estrondo do escândalo Watergate.

Apesar de ter estado sob as luzes da ribalta na cimeira dos Açores, o regime autoritário português continuou isolado. E, nos Açores, a estalagem da Serreta nunca mais voltou aos dias gloriosos.

Os Açores voltaram a estar debaixo dos holofotes dos media de todo o mundo em 16 de março de 2003. O então primeiro-ministro Durão Barroso recebeu o presidente dos EUA George W. Bush, o presidente do governo espanhol José María Aznar e o primeiro-ministro britânico Tony Blair na base das Lajes. A cimeira destinou-se a manifestar o apoio daqueles três líderes europeus aos EUA na guerra desencadeada poucos dias depois contra o ditador iraquiano Saddam Hussein.

Fonte: Diário de Notícias

 

 

Lenda “Menino do Coro e a Sineira da Sé”

Foi na Terceira, em Angra, que se estabeleceu a primeira cidade dos Açores e a sede da Diocese açoriana, com a criação do Bispado de Angra e Ilha dos Açores, em 1534. Decidiu-se pela urgência da construção de uma nova Igreja, assim, em 1570, dava-se início à construção da Sé Catedral de Angra. As obras da Sé foram interrompidas aquando da crise de sucessão de 1580.

Após um período de 3 anos, em 1583, os espanhóis conseguiram invadir a Terceira, através do desembarque da Baía das Mós. Seguiu-se um momento em que a população foi castigada pelo seu apoio ao pretendente português. No meio disso, as obras da Igreja da Sé continuaram. No século XVII quando as obras foram concluídas, a Igreja da Sé apresentava uma planta retangular em estilo renascentista e “chão”. Com materiais vindos de todas as partes do mundo, ao longo dos séculos XVII e XVIII, quer por ordem dos reis e da corte, quer por ofertas, a Sé de Angra embelezou-se com o barroco e com a grandeza das Índias e das Américas. A Sé de Angra tornava-se um símbolo da riqueza do Império Português.

No século XVII nasceu uma lenda ligada à Sé, a do “Menino do Coro e a Sineira da Sé”. Segundo esta, no tesouro da Igreja da Sé existia uma exótica imagem de Santo António de Lisboa, em que este se encontrava vestido como um menino do coro, algo nunca visto. A lenda diz que certo dia, um mestre da capela muito preocupado em conseguir a harmonia musical entre os seus alunos, ameaçou bater num deles caso este não começasse a entoar as músicas na forma correta. O rapaz apavorado fugiu, encaminhando-se para uma das torres da Sé. Subiu a íngreme escada em caracol que levava aos sinos e aos pináculos das torres da Catedral angrense e, quando chegou ao cimo, confundindo o barulho do vento com o barulho de passos, julgou ter ouvido o mestre da capela e atirou-se do alto da torre onde estava. A criança foi salva por um vento divino que a sustentou no ar, voando por três ruas até ser depositada no telhado do Convento de Nossa Senhora da Esperança. Para comemorar esta ação divina, o pai da criança mandou estão fazer a mencionada imagem de Santo António vestido de menino de coro, que durante muitos anos esteve exposta na Sé. O rapaz viria a tornar-se sacerdote.

O Sismo de 1 de Janeiro de 1980, o de maior intensidade dos últimos 200 anos em Portugal, com uma magnitude de 7,2 na escala de Richter, com epicentro a 35km a sudoeste de Angra do Heroísmo, a cidade mais afetada, danificou fortemente a Igreja da Sé. Dias depois, esta começou a reerguer-se, seguindo a filosofia de pô-la como estava, mantendo o interior. A Sé sofreu uma derrocada, em 1983, que destruiu uma das colunas e o frontispício. Quando decorriam as obras de reparação, a Sé Catedral de Angra do Heroísmo foi vítima de um incêndio, a 25 de setembro de 1983, passaram recentemente 30 anos.

O incêndio foi ateado por um jovem que tinha acesso ao interior da Sé e que depois foi declarado doente psiquiátrico, mas na altura houve quem suspeitasse que a ação tivesse sido encomendada. Algumas pessoas ainda hoje dizem que era “um louco”. Segundo a população, o cenário era “assustador”, pois o fogo estava “tão alto que atravessava a rua e ameaçava alastrar-se a vários quarteirões de Angra do Heroísmo”. O medo instalou-se, parecia que “o centro da cidade todo ardia”. Felizmente o fogo foi controlado.

Os prejuízos do incêndio foram incalculáveis, o mobiliário ardeu todo, perderam-se as cadeiras dos cónegos, do coro alto e do coro baixo, os órgãos de tubos, os lustres em madeira e o soalho. A beleza do Barroco desaparecia, com a destruição dos caixotões dos tetos, das imagens esculpidas na parede, das molduras e dos enquadramentos em talha dourada, que arderam. Salvou-se apenas o que era móvel, como pratas, paramentos e telas, que tinham sido deslocados para o salão do seminário.

A Igreja da Sé voltou a erguer-se das cinzas e renascia, mantendo a sua imponência e grandeza. Assim, a 3 de novembro de 1985, a Igreja da Sé foi reaberta ao culto e dedicado o novo altar pelo então Patriarca de Lisboa D. António Ribeiro. Continua a ser a sede do Bispado de Angra e Açores, o maior templo dos Açores. Falta apostar na recuperação de várias peças que aguaram o seu restauro, é preciso valorizar os nossos tesouros.

Texto e Foto/ Francisco Miguel Nogueira | franciscomgl@gmail.com
Fonte: Jornal da Praia

Lenda da Brianda Pereira – Batalha da Salga

A 25 de julho de 1581, dava-se a Batalha da Salga, um momento da História da Terceira, em que a população e os toiros tiveram um papel essencial na defesa da Ilha, do arquipélago e até da independência de Portugal.

Quando D. Sebastião morreu em 1578, em Alcácer Quibir, sucedeu-lhe o seu parente mais próximo, o tio-avô Cardeal D. Henrique, que morreu, em 1580, sem herdeiros diretos, abrindo, assim, uma crise de sucessão. Houve 3 principais herdeiros, D. Catarina, Filipe II de Espanha e D. António, Prior do Crato. Este último foi aclamado rei em Santarém, contra a vontade da Alta Nobreza, apoiantes de Filipe II. Para este, Portugal era um reino muito importante para a estratégia do Império Espanhol, razão pela qual acabou por enviar o seu exército, que mais bem preparado venceu os apoiantes de D. António – O Prior do Crato. Este acabou por refugiar-se na Terceira, o único ponto do país que ficou do seu lado. D. Violante do Canto, que herdara uma grande fortuna em 1577, apoiou a causa de D. António, sustentando as tropas anglo-francesas estacionadas na ilha. A Terceira passou a ser, então, alvo das atenções espanholas.

Neste momento, a História e a Lenda se misturam, sendo a realidade dos factos difíceis de decifrar. A 25 de julho de 1581, uma esquadra espanhola comandada por Pedro de Valdés, tentou a conquista da ilha açoriana. A esquadra castelhana, composta por 10 navios com 1 000 homens de guerra, tentou desembarcar na baía da Salga e, apanhando de surpresa os locais, conseguiram vencer as primeiras resistências. Nesta fase dos combates distinguiu-se Brianda Pereira, uma lenda viva da nossa História. As tropas espanholas começaram a incendiar as searas e as casas existentes nas imediações, entre as quais muito provavelmente a de Brianda Pereira, aprisionando os homens que encontraram. Entre os prisioneiros figurava Bartolomeu Lourenço, que se encontraria ferido, marido de Brianda. Esta, num sentimento de revolta e de defesa, incentivou como podia, cheia de força e garra, os terceirenses a lutarem e pegou no que tinha à mão e também foi para os combates.

Como a batalha endureceu, o religioso Agostinho Frei Pedra, que participava ativamente na luta, teve a ideia de, como estratagema, dirigir gado bravo para as posições espanholas e assim desbarata-las. Rapidamente foi reunido mais de um milhar de bovinos, que, à força de gritos e tiros de mosquete, se lançaram sobre o inimigo. Isso levou os espanhóis a recuarem e deu tempo aos terceirenses para se reagruparem e prepararem nova defesa da Ilha. Centenas de castelhanos morreram nos combates ou afogados na fuga do gado bravo. Diz-se que não mais 50 espanhóis voltaram para os navios, enquanto nos locais, foram poucas as dezenas de mortos. Foi uma humilhante derrota para as tropas de Filipe II de Espanha. Brianda Pereira incentivou até ao desfecho da Batalha da Salga para que os homens e as mulheres lutassem até ao fim. Brianda Pereira virou a nova heroína dos portugueses contra os espanhóis. Participaram na Batalha dois ilustres escritores espanhóis, Miguel de Cervantes, autor de D. Quixote de la Mancha, e Lope de Veja, sobrevivendo ambos.

A Batalha da Salga permitiu o reanimar das tropas terceirenses e o fortalecimento da sua posição contra o Rei espanhol. Assim, nos 2 anos seguintes, o povo terceirense não desistiu de lutar. Data deste período, mais precisamente de 13 de fevereiro de 1582, a famosa carta de Ciprião de Figueiredo, corregedor dos Açores, a Filipe II, onde afirmava: “antes morrer livres que em paz sujeitos”, hoje a divisa dos Açores.

Os terceirenses bateram-se como defensores da independência de Portugal. Só em 1583 a Terceira foi subjugada pelos espanhóis, comandados por D. Álvaro de Bazán, no conhecido Desembarque da Baía das Mós. Apesar dessa situação, Angra continuava a ser um ponto essencial. Assim, por proposta do próprio Bazán, após analisar a linha de Fortes da Ilha, Filipe II mandou erigir um grande castelo no Monte Brasil. Nascia assim, a maior fortaleza filipina do mundo, chamada na época de Castelo de S. Filipe, hoje São João Batista.

D. Violante, por ordem de Filipe II, partiu a 17 de agosto de 1583 com D. Álvaro de Bazan, rumo a Madrid. À hora do embarque, D. Violante dirigiu-se para o lugar da Prainha, acompanhada por duas damas, cinco aias e vinte e um criados entre outros escudeiros, sendo ali esperada pelas principais autoridades de Angra, num estrado alcatifado e construído de propósito para o embarque. Ao pôr D. Violante o pé na escada do navio ouviu-se uma salva dada pela nau, acompanhada por todos os navios da armada. Em Espanha, D. Violante foi encerrada em dois mosteiros, em Cadiz e Jaem e posteriormente obrigada a casar a 1 de abril de 1585 com Simão de Sousa de Távora, voltando a Portugal.

Os toiros, que hoje acompanham a heráldica dos Açores, relembram-nos o papel do gado bravo e do nosso povo na luta pelo que acreditavam, a independência de Portugal. A bravura terceirense passou a ser a imagem de marca da Ilha.

Por: Francisco Miguel Nogueira em jornaldapraia.com
Link útil: Banda Desenhada Batalha da Salga

A passagem de Charles Darwin pela ilha Terceira

* Photograph of Charles Darwin by Maull and Polyblank for the Literary and Scientific Portrait Club

De facto, António Frias Martins, investigador do Departamento de Biologia da Universidade dos Açores, afirmou à Agência Lusa que “nos Açores há muita coisa digna de registo”, porque o arquipélago, que tem uma grande biodiversidade e espécies animais únicas, é um verdadeiro laboratório natural que sustenta a Teoria da Evolução.

O único português que se correspondeu regularmente com Darwin – entre Junho e Novembro de 1881 – foi precisamente um naturalista açoriano, Francisco Arruda Furtado. A sua história é contada no livro “O português que se correspondeu com Darwin”, de Paulo Renato Trincão (professor da Universidade Aveiro).

A investigação científica recente tem, sem dúvida, consolidado a ideia de que os Açores são um arquipélago de eleição para provar a diversidade da evolução através da selecção natural tal como Darwin a defendia.

Um dos exemplos, citado pela revista National Geographic, são os estudos feitos sobre o painho-da-madeira, uma ave marinha típica das ilhas do Atlântico (incluindo a Madeira, Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe), mas onde foi descoberta uma espécie única nos Açores com apenas 250 a 300 casais. Única em termos genéticos, nos cantos e vocalizações, nas épocas de muda ou no comportamento alimentar.

Outra espécie única é o Priolo, ave da floresta laurissilva de S. Miguel, que está a realizar uma campanha para recuperar o seu habitat coordenado pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), por estar ameaçada de extinção. A laurissilva é, além disso, uma floresta também com características únicas, que só existe nos Açores e na Madeira.

fonte:expresso.sapo.pt

Para comemorar os 180 anos da passagem de Charles Darwin na Terceira , a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo  preparou esta série de quatro episódios que reproduzem de forma livre a estadia na ilha, com base nas notas que o naturalista escreveu no seu diário de viagem.

O vídeo será reproduzido sem som (mudo). Por favor, ligue o som através dos controles do player de vídeo.

Episódio 1

Episódio 2

Episódio 3

Episódio Final

Festas do Divino Espírito Santo

Bodos do Espírito Santo na ilha Terceira são os mais tradicionais dos Açores

Fotografia: Associação Regional Turismo

O Bodo, na ilha Terceira e os Impérios na ilha do Pico ditam o ritmo do domingo de Pentecostes, que no arquipélago dos Açores é vivido em torno das grandes festas do Divino Espirito Santo, em todas as ilhas.

Esta é, de resto, uma marca identitária dos açorianos, independentemente do sítio onde residam.

Na ilha Terceira, as festas têm uma força “muito original” e são vividas sobretudo na zona do Ramo Grande, onde a economia continua a ser predominantemente agrária, sendo bastante conhecidos, por exemplo, os impérios da Vila Nova e das Lajes pelo número de pessoas envolvidas.

A capacidade de inculturação numa cultura agrária explica, de resto,  a sua permanência tão viva nos Açores: a valorização da terra de onde vem o trigo e o milho a partir dos quais se faz o pão,  o vinho e a carne, aspetos nos quais se  materializam os dons do Espirito Santo.

A peculiaridade principal deste culto no arquipélago é ser popular e desenvolver-se sob a forma de império, com uma forte carga profética e política, sem qualquer pretensão de imitação de papéis ou destituição de poderes.

À volta dos Impérios desenvolvem-se durante vários dias as festividades do Espírito Santo, imbuídas de um ideal caritativo e compostas por um conjunto de cerimónias religiosas e profanas: a “coroação” do Imperador Menino, o desfile de cortejos e o bodo de pão e de carne.

Durante cada semana das festividades veneram-se as insígnias do Divino na casa do Imperador e reza-se o terço à noite perante a coroa e a bandeira. Na sexta-feira, os bois são enfeitados e realiza-se a “procissão do vitelo”. Posteriormente, sacrificam-se os animais necessários para o bodo que o Imperador oferecerá no domingo aos convidados, retalha-se a carne para a sopa, o cozido e a alcatra do jantar e para as pensões a distribuir pelos pobres da freguesia. No sábado faz-se a distribuição de esmolas, compostas de carne, pão e vinho, benzidas pelo sacerdote.

No domingo de manhã realiza-se a primeira procissão, encabeçada pela bandeira do Espírito Santo. Na cerimónia da “coroação”, dentro da igreja,  o padre toma o cetro, dá-o a beijar a quem coroa e entrega-lho, e depois faz o mesmo com a coroa, colocando-a sobre a sua cabeça; asperge o Imperador, incensa-o e entoa-se o “Veni Creator Espiritus”. Depois da coroação a Coroa e a Bandeira vão em procissão até ao Império, de onde saem à noite para outra casa.

Fotografias: Patricia Foodwithameaning

Refira-se a título de curiosidade que na ilha Terceira a própria paróquia pode ser mordoma da festa recebendo na Igreja as insígnias do Espírito Santo.

Entre o domingo de Pentecostes e o domingo da Santíssima Trindade  “a anfitriã” do Espírito Santo recebe na Igreja Paroquial a Bandeira e a Coroa.

É também no domingo que se realiza o bodo ou a “função” para o qual todos são convidados, ricos e pobres, habitantes ou forasteiros. A ementa da “função” é composta pela sopa do Espírito Santo, alcatra, pão, armazenados nos Impérios ou nas despensas, pela massa sovada ou pelas rosquilhas (Pico) e vinho. Os irmãos escolhidos para realizar o bodo designam-se de Mordomos.

As festas do Espírito Santo começam no domingo imediatamente a seguir à Páscoa tendo como ponto alto nas ilhas referidas o domingo de Pentecostes e o da Trindade.

Na ilha Terceira, os impérios prosseguem durante o verão, até ao Império de São Carlos, em setembro.

Na ilha Terceira, o culto do Espírito Santo está documentado desde 1492, data em que já se fazia o Império e se distribuía o bodo, no dia de Pentecostes, à porta de uma capela pertencente ao hospital do Espírito Santo.

A festa constava da missa do Espírito Santo, “coroação” e bodo e, se algum irmão  da confraria “tomasse o império” sem ter meios  para o desenvolver seria ajudado pelos restantes membros da irmandade.

Quando se instituíram as Santas Casas da Misericórdia na ilha Terceira, a de Angra, em 1495, e depois a da Praia, em 1498, instalam-se nos templos do Espírito Santo, acabando por se tornar as responsáveis pela organização dos bodos no dia de Pentecostes, facto que não afetou a criação de irmandades em todas as freguesias destes dois concelhos.

Fotografias: Patrícia Foodwithameaning

As festas do Espírito Santo nos Açores possuem uma estrutura tradicional comum mas apresentam bastantes variantes entre as várias ilhas do Arquipélago e, dentro da mesma ilha, entre os vários Impérios.

O ciclo das festividades é, no entanto, comum. Nos dois domingo vivem-se os bodos e no final do bodo do último domingo tiram-se “as sortes” para conhecer os irmãos que vão ficar com as domingas, sete, do ano seguinte. Quem tirar a primeira “dominga” ficará com o Espírito Santo todo o ano em Casa, ou seja, a Bandeira e a Coroa ficarão na casa desse irmão, em lugar de destaque, durante um ano.

Na ilha Terceira,  nestas duas semanas,  centenas de quilos de açúcar são transformados em bonecos para ofertas nos Impérios do Espírito Santo.

O alfenim entregue nos Impérios do Espírito Santo é depois arrematado e o dinheiro reverte a favor das festas, nas quais, para além da animação e da religiosidade, são distribuídos pão, carne e vinho.

O alfenim (palavra que vem do árabe “al-fenid” e quer dizer aquilo que é branco, alvo) é feito apenas de açúcar, água e vinagre, mas se passar do ponto transforma-se em rebuçado. Moldá-lo em imagens fiéis à realidade exige uma técnica que não está ao alcance de todos. O preparado leva cerca de 20 a 25 minutos ao lume e quando atinge o ponto é vertido para uma bacia untada com manteiga, que está dentro de outra com água fria, para ir arrefecendo a massa.

Trata-se de uma receita típica das ilhas Terceira e Graciosa que é confecionada especialmente nesta época mas que se vende também durante todo o ano nalgumas pastelarias da ilha Terceira.

Antigamente, os truques eram mantidos em segredo e até se chegaram a inventar mitos, porque a venda de alfenim era uma fonte de rendimento importante para as famílias, mas hoje já restam apenas meia dúzia de artesãs na Terceira.

A imagem mais comum do alfenim é a pomba branca, que simboliza o Espírito Santo, mas as promessas estão muitas vezes associadas a problemas de saúde, por isso, em momento de aflição, são encomendadas peças de partes do corpo, como pés, pernas, mãos, braços, peitos, gargantas e cabeças de alfenim. Os pedidos mais frequentes são as meninas e os meninos de corpo inteiro, que se adequam a diferentes maleitas e a outro tipo de promessas.

Antigamente, o alfenim era feito apenas pelas festas do Espírito Santo ou para ofertas em casamentos e batizados, mas hoje, já integrado na lista de produtos regionais certificados, é também muito procurado por turistas.

fonte: igrejaacores.pt

 

 

Mónica Lice

Nasceu e viveu até aos 18 anos na freguesia do Raminho. A ilha Terceira é um dos seus lugares do coração, porque lá nasceu, mas também porque a experiência de vida fez ver o quão bonita é a sua terra. Por mais que já tenha viajado pelos quatro cantos do mundo, tem plena consciência que “os Açores são ímpares em beleza, em natureza, e que a Terceira é “um cantinho do céu”, pelas suas paisagens e, claro, pelas suas gentes, tão afáveis e acolhedoras”.

Na ilha elege dois lugares como seus. “O meu Raminho e os meus Biscoitos – as piscinas naturais para onde vou desde que me lembro de ser gente e que conheço como a palma das minhas mãos.”

Se um amigo de Mónica Lice for visitar a Terceira, recomenda a visita ao Algar do Carvão, às piscinas dos Biscoitos, passear pelas ruas de Angra, baía da praia, a vista da Serra do Cume, “perfeita para uma fotografia tipo postal”, os restaurantes típicos, onde se come o melhor peixe e a melhor alcatra, e o pôr do sol, visto na Mata da Serreta.

Gosta muito das festas do Senhor Espírito Santo, onde tenta participar, sempre que possível, mas o Carnaval é, sem dúvida, umas das suas festas de eleição. “Amo de paixão as danças e bailinhos – onde participei ativamente até vir estudar para Lisboa.”

As festas da sua freguesia, o Raminho, têm sempre um gostinho especial, que, neste momento, já tenta passar às suas filhas, fazendo questão que as férias de verão coincidam com o final de agosto, que é a altura em que elas decorrem. Também é fã das Sanjoaninas – que acompanha à distância, mas que lhe tocam sempre o coração.

A Alcatra e as Sopas do Senhor Espírito Santo, são os pratos que a deixam com mais água na boa, mas diz que ” qualquer prato de carne, das nossas vacas, é sempre delicioso, assim como o peixe e marisco, fresquíssimo e muito saboroso”. Também delira com o queijo e com a massa sovada.

Tem várias histórias divertidas vividas na ilha, porque 18 anos da sua vida foram passados na Terceira. Destaca uma atividade diferente, que lhe é particularmente especial: a Procissão dos Abalos, que tem lugar no Raminho, uma vez por ano, na altura da primavera. Começa de madrugada e percorre parte da freguesia (cerca de 6 km), até à Mata da Serreta, onde decorre uma celebração rápida. É uma procissão especial, pelo seu simbolismo, e particularmente bonita, pela vista que permite alcançar-se. Mónica desafia todos os crentes a fazê-la, pelo menos uma vez na vida.

Um dia perfeito na Terceira é para ela passado em família, e deve incluir um mergulho nos Biscoitos, uma refeição de peixe fresco com vista para o mar, um passeio pelas ruas de Angra e terminar com um bailarico, numa festa popular numa qualquer freguesia.

Por Mónica Lice, 38 anos, blogger e empresária

Joel Neto

Joel Neto é autor de mais de uma dúzia de livros de diferentes géneros, entre os quais Arquipélago (romance, 2015), A Vida no Campo (diário, 2016) e Meridiano 28 (romance, 2018), que alcançaram os tops de vendas e o clamor da crítica. Colunista de jornais há mais de vinte anos, está traduzido em várias línguas e publica regularmente em antologias e revistas literárias portuguesas e estrangeiras. Nasceu na ilha Terceira, nos Açores, e mudou-se para Lisboa aos 18 anos, para estudar Relações Internacionais. Depois de quase duas décadas de trabalho como repórter, editor e chefe de redação na maior parte dos principais órgãos de imprensa portugueses, voltou à ilha natal em 2012, determinado a dedicar-se inteiramente à literatura. Vive desde então no lugar dos Dois Caminhos, freguesia da Terra Chã, na companhia da mulher e dos dois cães. Aí escreve e cultiva uma horta, um pomar e um jardim de azáleas.

O SEU BEST OF É…

VISITAR: Serra do Cume, planície da Achada, Caldeira Guilherme Moniz e Algar do Carvão; paisagem rural, matas e lagoas entre o Cabrito, a Serra de Santa Bárbara, os Picos Gaspar e Gordo e a Rocha do Chambre; centro histórico da cidade de Angra do Heroísmo.

ATIVIDADES: percorrer os trilhos da Rocha do Chambre, da Passagem das Bestas, da Lagoinha e das Relheiras de São Brás; passear pelo Monte Brasil, a descobrir as fortificações escondidas e a evocar a História; saborear piqueniques nos promontórios naturais do interior e da orla costeira da ilha; fazer amor ao ar livre.

DORMIR: Quinta do Martelo, Quinta das Mercês, Terceira Mar, Praia Marina e Hotel do Caracol.

COMER: Ti Chôa, Caneta, Beira Mar, Sabores do Chefe, Pescador, Q.B. e R3.

NOITE: Sanjoaninas, Festas da Praia, festas do Bodo, Padroeiros de Verão e sociedades filarmónicas no Carnaval.

COMPRAS: comércio tradicional de Angra.

Por Joel Neto, 44 anos, escritor